31.10.09

ganos

Hoje completo 186 dias de Argentina e vou pra casa pra passar o verão. Serão 4 meses pra matar a saudade da aldeia iluminada, da família, dos amigos, dos lugares, do carro, das minhas casas, da comida. Foram definitivamente os últimos 6 meses mais intensos da minha vida. Foram perdas e danos e ganhos mas, certamente, mais ganhos do que perdas.
Cheguei aqui buscando o mestrado dos sonhos, o amor da minha vida, a paixão por outro lugar e que há muito tempo ficou pra trás, quando deixei NY.
O mestrado dos sonhos, como em todo lugar, deixou a desejar em bastantes coisas e em outros pontos superou qualquer experiência acadêmica que tive anteriormente, especialmente o fato de meus professores conseguirem trazer a teoria para a prática, o que não vejo no Brasil desde os tempos da faculdade.
Resvalei no amor e ele quase me agarra pelo fato de que eu estava mesmo suscetível. Talvez por carência, talvez pela sede de amar alguém de verdade e tão prontamente, investi no Leandro e fomos o que fomos e o que não fomos e hoje sinto um enorme carinho por ele. Fabrício é e será meu xuxu, meu tano mais lindo e gostoso. Mas certo mesmo é que em termos de amor, o tiro pegou de raspão, seja com ele, com Max, com os amores impossíveis e platônicos. Mientras tanto, saio daqui com a esperança de que tem alguém bacana aí fora esperando por mim.
Ainda continuo apaixonada com NY e isso jamais mudará. Não consegui, ao contrário, me apaixonar perdidamente pela Argentina mas, no meio termo, parei de brigar com a terra brasilis, pra onde volto sorrindo e cheia de saudade, como nunca aconteceu na minha vida. Foi necessário viver em terras platenses pra fazer as pazes com terras mineiras. E talvez esse tenha sido meu maior aprendizado.
Chorei muito, muito mesmo. E ri demais, bastante, me diverti horrores. Me senti só em diversos momentos e todos eles compensados por cada experiência, por cada minuto valioso que passei ao lado dos meus amigos que sempre, sempre vou levar no coração e de quem já sinto falta antes de partir.
Aliás, falando em apaixonar profundamente, sim, eu me apaixonei sim, e profunda, intensamente. Por Ana Lia, minha mãe argentina, que esteve ao meu lado incondicionalmente e por isso serei eternamente grata.
Me apaixonei loucamente por Felipe com quem passei meus primeiros dias aqui, explorando a cidade, dividindo dúvidas, medos, saudades e ansiedades. Por Lisandro com sua doçura, disponibilidade, presteza, atenção e sempre tão amável que me orienta em tantas coisas, inclusive com relação ao preparo do mate (aliás, foi Lisandro quem curtiu meu mate pra que eu o usasse. O mate na casa dele é bom demais!). Por Fede, a paixão da minha vida, nos ombros de quem sei que posso chorar e é quem guarda minha bolsa, meu casaco, empresta a papel e caneta, e faz mil outras gentilezas sem eu precisar dizer uma palavra (ah, e na casa de quem comi o meu melhor asado e quem prepara o mate mais saboroso). Por Alberto, nosso italiano querido e que tem um coração grande, enorme como a lua – e de onde a gente tem que trazê-lo de volta quando ele se perde entre um exercício e outro. Por Gaby, querida, que chegou por último, mas que ri das coisas que eu falo e com quem já compartilho um grande carinho e confiança. Por Laura com sua timidez e doçura, que nunca deixa de saudar a gente, dando um beijo, perguntando como estamos. Por Adrian, que com seu jeito peculiar é um fofo, prestativo, de quem ganhei farinha e uma máquina de lavar roupa. Ele foi o primeiro e único a me chamar de Becca e eu gosto disso. Por Andrea que também chegou depois e é uma flor, tímida e doce, sempre prestativa e gentil. Por todos eu tenho um amor e uma gratidão imensa, incondicional, eterna. Sinceramente.
E, claro, por Gerar e Felix, mais do que amigos, minha família em La Plata. Não fosse por eles eu já estaria na terra brasilis e não teria tido a cara pra enfrentar tantos desafios. Pra esse casal eu não tenho palavras e a gratidão, o carinho e o apreço que sinto pelos dois... difícil definir. Complicado estimar.
Então é isso. Minhas malas estão prontas e em breve parto pra Ezeiza. Olho pela janela e vejo La Plata, com o céu azul celeste, o celeste da bandeira argentina e que define muito bem esse país, essa cidade, esse povo - apesar de que agora chove e o celeste virou gris. Olho pro meu apê, que fica aqui montadinho, e dá um aperto no coração. Não consigo deixar de pensar que, por coincidência, o azul e o amarelo estão nas duas bandeiras: deve ser pra mostrar que certas pessoas podem estar divididas entre os dois países fronteiriços, como meu caso agora. Nesse exato minuto, meu coração bate mitad-mitad, metade-metade: ansiando pelo Brasil de um lado, e cheio de dor em deixar minha vida e, principalmente meus amigos aqui, de outro.
Mas como a vida é keep walking... levo comigo um pouco da Argentina e deixo um pouco do Brasil timbrado aqui. O bom da vida é que, apesar de alegrias e tristezas, a gente pode sempre seguir caminhando com muita "fuerza en la peluca" (pra Gerar), fazendo o impossível para não deixar "se pudrir todo" (para Gaby) e agradecendo a Deus por tudo que a gente tem e conquista a cada minuto.
Amanhã tô em território brazuca cobrindo de beijos pai, irmão, cunhada, sobrinhos... Toda a minha estrutura logística sem a qual não poderia viver nem perto, nem à distância. Minha mammy volta comigo, parte da estrutura de apoio que nunca falha e que sempre está presente em momentos cruciais.
Dale, chicos. É isso. Declaro aberta as primeiras vacaciones do Palavras Portenhas.
Disfrutála!

En español para mis amigos especiales:

Che, hoy completo 186 días en Argentina y voy a mi casa para el verano. Van a ser 4 meses para disfrutar de mi ciudad, la “aldea iluminada”, de mi familia, de los amigos, de los lugares, de mi auto, de mis casas, de la comida. Definitivamente estos fueron los últimos 6 meses más intensos de mi vida. Yo tuve pérdidas, daños y ganancias pero, seguramente, tuve más ganancias que pérdidas.
Llegue acá buscando la maestría de mis sueños, el amor de mi vida, sentirme enamorada por otro lugar como hace mucho no he sentido desde cuando deje de vivir en NY. La maestría de mis sueños, como siempre me ha pasado, no es todo que yo esperaba y sigue dejando de desear. Pero en otros puntos me ha sorprendido, superando cualquier experiencia académica que tuve anteriormente, especialmente el hecho de que mis profesores consiguen traer la teoría para la zona práctica, y hace mucho que no veo eso, desde mis tiempos de la facultad.
Casi me choco con el amor, el casi me agarra por el hecho de que yo estaba muy susceptible a encontrarlo. Tal vez por estar carente, tal vez por la sed de amar a alguien de verdad y tan prontamente, hice una inversión en Leandro y fuimos lo que fuimos y lo que no fuimos y hoy lo que siento es un grande cariño por este chico argentino. Fabrício es y será siempre mi amorcito, el tano más lindo y gato, pero es cierto que en términos del amor, nadie me agarró, ni Fabri, ni Max, ni los otros hombres que figuran como amores imposibles o platónicos. Mientras tanto, salgo de acá con la esperanza de que todavía hay alguien muy macanudo ahí afuera esperando para encontrarme.
Aunque sigo enamorada de NY y eso nunca va a cambiar. Todavía no he conseguido enamorarme de Argentina pero, a pesar de esto, pare de pelear con la tierra brasilis, hacia donde me voy sonriendo y extrañando, como nunca me había pasado en la vida. Para mi fue necesario tener que vivir en tierras platenses para parar de pelear con tierras mineiras. Y creo que ese fue mi más grande e importante aprendizaje.
He llorado mucho, mucho. Y he reído mucho más, demasiado, me divertí un montonazo! Me sentí sola en diversos momentos pero todos han sido compensados por cada experiencia vivida, por cada minuto valioso que pasé al lado de mis amigos a los cuales siempre, siempre voy a llevar conmigo en mi corazón. Y ya los extraño antes de partir.
Sin embargo, hablando en enamorarse profundamente, sí, yo me quede enamorada! Profundamente, intensamente.
Por Ana Lia, mi mamá argentina, que estuvo al lado mío incondicionalmente y por lo cual y le estaré agradecida eternamente. Me quede locamente enamorada de Felipe, con quien pase mis primeros días acá, explorando la ciudad, compartiendo dudas, miedos, ansiedades, lo tanto que extrañábamos nuestra vida en casa. Lisandro, con lo tan dulce que es, con toda su disponibilidad, amabilidad, presteza y siempre tan bueno para orientarme en tantas cosas, inclusive con la preparación del mate (de verdad, fue Lisandro quien curtió mi mate para que yo lo empiece a usar y el mate en su casa é buenazo!). Fede, mi pasión; el compañero que me presta su espalda cuando estoy a punto de llorar y que es quien agarra mi cartera, mi saco, me presta papel y bolígrafo, y hace mil otras cosas sin que yo tenga que decirle una sola palabra (y fue en su casa donde comí el mejor asado y es el quien prepara el mate más sabroso). De Alberto, nuestro querido italiano que tiene un corazón tan grande, enorme como la luna – de donde a veces lo tenemos que bajar cuando esta un poco colgado entre un ejercicio y otro. De Gaby, querida, que fue la última en llegar y quien es la que más se ríe de las cosas que yo digo, con quien ya comparto una intensa confianza y por quien tengo un gran cariño. Lau, que es muy tímida y dulce, que nunca deja de saludarnos con un beso y siempre preguntando como andan las cosas. Adrian, que en su manera peculiar es tan amable, lleno de cuidados, quien me trajo harina de Brasil y aún más que eso, pues me regalo un lavarropa. Adrian fue el primero a llamarme de Becca y eso a mi me encanta. Andrea que también llego después, pero es una flor, tímida, amable, gentil. Me quede enamorada de todos y por ellos tengo una gratitud enorme, incondicional, eterna – y los quiero muchísimo!
E, obviamente, me quede enamorada de Gerar y Felix, más que mis amigos, mi familia en La Plata. Sino fuera por ellos, yo ya hubiera estado en Brasil hace rato y no iba tener tanto coraje para enfrentar los desafíos. Yo no tengo palabras para describir esta pareja y la gratitud, el cariño y el amor que siento por ellos dos. Difícil definir. Complicado estimar.
Entonces, así lo es. Mis maletas están listas y en poco tiempo salgo para Ezeiza. Miro por la ventana y veo La Plata, el cielo azul celeste; el celeste de la bandera argentina y que es parte de la definición de este país, de esta ciudad, de este pueblo – a pesar de que ahora llueve y el celeste se cambió a gris. Miro mi departamento, y lo dejo acá arregladito, y siento mi corazón un poco apretado. No consigo dejar de pensar que coincidentemente el azul y el amarillo son los colores que están en las dos banderas: debe ser alguna indicación de que algunas personas pueden seguir divididas entre dos países que hacen frontera, lo que es exactamente mi caso. En este exacto minuto, mi corazón late mitad-mitad: por un lado ansioso por llegar en Brasil; por otro lleno de dolor en dejar mi vida y mis amigos acá.
Pero como la vida es un constante ejercicio de keep walking… llevo conmigo un poco de Argentina y dejo un poco de Brasil marcado acá. Lo bueno de la vida es que a pesar de las alegrías y tristezas, la gente puede seguir adelante con mucha “fuerza en la peluca” (para Gerar), haciendo el imposible para no dejar “que se pudra todo” (para Gaby), agradeciendo a Díos por todo lo que tenemos y que seguimos conquistando en cada minuto.
Mañana estoy en zona brasileña, dando miles de besos a mi papá, hermanos, sobrinos, cuñada… Toda mi estructura logística, sin la cual yo no podría vivir estando cerca o lejos. Mi mamá vuelve conmigo, parte de mi estructura de apoyo que nunca falla y siempre está presente en momentos tan importantes.
Dale, chicos. Entonces es eso. Declaro abierta las primeras vacaciones del blog Palavras Portenhas.
Disfrutála!

Gaby, amiga, gracias por ayudarme con la tradución!! :-)

1.10.09

llegada

Há horas estou lendo - desde ontem mais ou menos às 21h comecei - o Para Francisco, blog de uma publicitária lá da minha terra. Estranho eu estar escrevendo um post de natureza mais brasileira do que argentina aqui e não no rebus sic stantibus; estranho eu estar descrevendo alguém como sendo "da minha terra" e não da aldeia iluminada ou da terra brasilis.
É que a tal da Cristiana me fez lembrar que na aldeia iluminada tem bastante gente interessante como ela mesmo, as meninas do Ameixa Japonesa, a Luiza Voll que tem blogs que eu gosto tanto. E ler o que ela escreva por horas, como hace rato eu não fazia, me deixou com ganas de escrever, coisa que tenho feito bem menos vezes, como tantas outras coisas que vou abandonando pelo caminho. E claro que eu fiquei com nó na garganta lendo o blog dela, que teve um filho praticamente enquanto enterrava um amor. Eu também enterrei um amor (não literalmente como ela) - vários amores - antes de vir pra cá, pra essa outra também aldeia iluminada - mas tudo isso é outro papo.
Mas bom mesmo foi pensar que tem gente e coisa bacana que surge entre as montanhas da minha terra ("pra falar com esse nível de sentimento, não devo andar muito bem da cabeça", me ocorreu agora, but it's fine); gente que tá perto, gente que tá longe, mas gente de que alguma maneira está na minha vida.
Falando em estar na minha vida, minha mãe chega essa semana do Brasil. Eu nem estava muito empolgada com a vinda dela porque aqui ainda tá frio e tenho medo de a gente não aproveitar tanto quanto eu quero. Mas sua vinda também traz um pouco do que eu comecei a extrañar da aldeia iluminada e me faz recordar que falta pouco pra eu estar outras vezes em solos brasileiros.
Entre a minha chegada aqui e minha ida de volta, tenho certeza que foram inúmeras perdas. E inúmeros ganhos. Em algum lugar entre o espaço aéreo Brasil-Argentina ou entre as fronteiras por terra eu me perdi e me encontrei e ainda tento me encontrar. Mais que por um mestrado, mais que por um amor frustrado, mais que por enganos e desenganos, minha vinda pra cá foi pra buscar um caminho de volta pra mim e por que não dizer? pra minha própria casa. Então, ver minha mãe pessoalmente, com quem estou só por skype há quase 6 meses, é praticamente um happy hour, uma prévia pra estar fazendo festa em território conhecido em menos de 40 dias.
Por isso quinta-feira vai ser um dia corrido. Eu tenho que limpar a casa, receber a cama, arrumar a geladeira pra chegada da mammy e ainda tenho aula de pintura. E pra completar minha overdose de amor com a terra brasilis, amanhã/ hoje ainda vou ao show da Leila Pinheiro - convidada pela própria - em Bons Ares. E eu quero arrumar o cabelo, fazer unha, ficar bem linda e perfumada pra ver a minha "vieja", como dizem aqui os argentinos (deixa a minha mãe ler isso que ela me mata!), e pra curtir o reencontro com um ser que é minha mãe e minha melhor amiga, mas que nesse momento representa também as minhas raízes. E não - pra quem me conhece -, eu não me enchi de vinho pra escrever esse post sobre a chegada dela ou sobre meu regresso em pouco mais de um mês (uma tentativa de explicar esse meu súbito desejo de estar do lado de lá das cataratas).
Enfim... vai ser bom ver e estar com minha mammy. E, dentro em pouco, o povo todo. Vou ver La Plata lá do céu (e eu vi no meu voo recente pro Rio e a cidade de cima é mesmo muito, muito, muito linda e foi emocionante vê-la do alto) um pouco triste pelos amigos que vou deixar aqui durante o verão, mas seguramente vou avistar a lagoa da pampulha com olhos mais vivos, mais brilhantes.
Foi engraçado outro dia, que eu tava na sala de aula com uma cara de bunda, e meus colegas perguntando o que eu tinha. Falei que era banzo e apesar de que aqui na Argentina tinha escravo pra cubú, ninguém sabia o significado da palavra e desse sentimento.
Agora já sabem. E sabem também que a partir de sábado eu começo, com uma hatori hanso, a matar um pouco do banzo. Lenta e prazerosamente. Graças a Deus.

28.9.09

dos mundos

Confesso que não é por falta do que contar que estou sem escrever. É que as duas últimas semanas foram cheias de emoção e eu fiquei meio sem lugar, meio overwhelmed.
Todo turbilhão de sentimento começou porque dei um pulo rápido na terra brasilis pra ver meu querido amigo/ irmão C. no lançamento do seu CD "O som do sol". Mais do que estar com ele e curtir o Rio de Janeiro - ainda que de dentro de casa acompanhando seus ensaios -, minha viagem foi tão mais gostosa porque tive o prazer de conhecer - e ganhar - uma nova amiga, C.. Mais um C. entre as minhas letrinhas favoritas, hehe. Além dela, conheci a V., o J. e passei momentos inesquecíveis ao lado de amigos como a queridíssima L. e R., seu marido, abençoados que me enviam as mensagens e fluidos de boa energia toda semana. Conheci a linda, gente finíssima, Leila Pinheiro, de quem C. é produtora, enfim... Teve super bom! E esse foi o problema.
Quem diria que pela primeira vez na minha vida, aos 33 anos, e sempre, eternamente brigada com a terra brasilis, eu ia SURTAR na hora de voltar?! Quem diria?!
Ninguém diria, mas eu surtei. Chorei demais na hora de voltar pra Argentina porque além de partir, um monte de coisa aconteceu. A filha do meu companheiro de mestrado nasceu e eu não estava aqui. Acabei compartilhando a comoção de longe e senti falta dos meus amigos estrangeiros. No dia do show do C., recebo a notícia de que a vó Helena, vó da minha amiga AP, mas que tomo como minha vó, havia falecido. Daí já era quase hora de viajar e nem pude estar na aldeia iluminada pra estar ali com ela e sua família. Senti, então, falta dos meus amigos brasileiros.
Viver em dois mundos não é moleza. Já diria AP e eu demorei muito, muito pra acreditar que ela estava certa e pra sentir o gosto agridoce da saudade.
Cheguei em La Plata um bagaço, virada de sono, fome, frio e saudade. Saí de 30 graus cariocas e cheguei em uma tarde chuvosa, cinza, gelada. Dentro da sala de aula, sem entender um A do que falava o professor, quem me salvou foi F., que me chamou pra fora e nos braços de quem caí em lágrimas. F. e L. são meus argentinos preferidos. E se F. não fosse casado seria um cara do meu tamanho exato porque ele me entende tão bem e sem palavras, sem traduções, somente com olhares. Ele é, sem dúvida, minha amiga G. em pele masculina e argentina.
Anyway, a semana passou e eu tive todo tipo de reação: de insônia à sono exacerbado; de dor de estômago à febre. E quando começo a me recuperar da queda... vem o coice, como diria minha avó.
Minha primeira e grande amiga em terras platenses G. volta amanhã pra Venezuela, onde vai ficar pelo menos 6 meses. Ela teve uma boa proposta de trabalho e financeiramente compensa pra ela passar esse tempo lá. Então estamos todos aqui meio órfãos com nossa companheira venezuelana e eu, especialmente, porque G. é quem me puxa pra terra quando eu tô voando e quem mais esteve ao meu lado aqui quando precisei de apoio.
Enfim, sábado fomos à apresentação do Zephyrus, o grupo celta onde G. toca violino e foi lindo. Foi nosso último encontro juntos com ela. Mas apesar da falta de alguns colegas que não puderam ir, estávamos praticamente todos lá e nos divertimos. Confesso que em uma das músicas me bateu uma "sessão melancolia", recordações de bons momentos que passei com ela e com F., que, tadinho, vai ficar sozinho aqui também. No mestrado também resolvi sentar de uma vez ao lado de F.. E ainda bem que ele é um fofo e além de tudo tem uma coisa de poucos argentos que eu amo de paixão: um cheiro de mate misturado ao perfume, uma coisa bem de homem mesmo, bem de argentino! Ai, me mata! Mas , enfim, como eu sempre dividi a carteira com G., outro dia, quando estava sentada sozinha sem minha parceira ao lado, bateu um vazio e achei melhor escolher logo outro lugar.
E é isso. As aulas de pinturas continuam, a malhação tá parada por conta do frio e as duas boas novas são que minha mãe chega no sábado e faltam menos de 40 dias pra eu ir pro Brasil por 4 meses; e que o povo colocou pilha no lance de terminar meu livro, o Pés enroscados, pra ver se a gente lança ainda esse ano. Mas essa é uma outra história, pra um post futuro que, se Deus quiser, não vai demorar tanto.

14.9.09

brazuca

Todo mundo tá careca de saber que eu gosto de brasileiro é no Brasil. Assim como axé é na Bahia e sertanejo é em Goiás, certas coisas e pessoas pertencem a determinados lugares específicos. Brasileiro no exterior não é bom. Pelo menos eu não tive experiência boa com meus conterrâneos fora dos limites fronteiriços da terra brasilis.
Entretanto, pra quebrar paradigmas, conheci uma brazuca muito gente boa aqui em La Plata. J. é de Fortaleza e eu falei dela nuns posts aí pra baixo. Animada, alegre, como só brasileiro do nordeste pode ser; aquela alegria nata.
A gente já saiu pra tomar café juntas, batemos papo de vez em quando, trocamos mensagens e claro, impressões sobre nossas vidas aqui na Argentina. E J. foi, certa e felizmente, a brazuca com quem pude compartir a vitória brasileira sobre os hermanos na disputa pelo mundial. E, por mais improvável que pudesse parecer, foi bom demais ter uma voz amiga - e brasileira - para ouvir na hora da comemoração.
Aliás, comemorar vitória brasileira no futebol é também pra mim a quebra de outro paradigma. Porque eu não ligo pra futebol e não torço pra nossa seleção. Mas estando na Argentina, não tem como não deixar a brasileira sair de mim. Especialmente porque estávamos em um asado na casa do nosso amigo F. (por sinal o melhor asado que comi aqui até hoje) como todo mundo do mestrado - os colegas e as respectivas companhias. Eram mais ou menos umas 15 pessoas torcendo contra mim e eu só, abandonada, torcendo pra seleção canarinho. Quase deu porrada e até com G., F. e L. eu consegui dar uma apelada.
E daí, quando a gente venceu, cara... Foi alegria demais para explodir em vôo solo, e sem computador, skype, msn, twitter e qualquer outro meio de comunicação que não fosse verbal e telefônica (limitada ao território onde habito agora), minha salvação foi ligar pra J. e gritar, vibrar e despejar toda a enegia da conquista do 3x1 como ela, que pulava do outro lado da linha como eu do lado de cá.
After all, pensei bem mais tarde, quando cheguei em casa, que pode até ser que ter um ou outro brazuca no exterior com quem estabelecer contato seja legal e até mesmo importante, como a J. já é no meu caso.
Ainda bem que a vida é uma construção constante de paradigmas. E ainda bem que a vida é uma quebra constante dos mesmos.

2.9.09

lunfardo

Nada como um dia após o outro e uma noite no meio pra gente descansar a cabeça. Quando eu leio os posts passados, alguns deles carregados de tristeza e solidão, parece até que não era eu me descrevendo neles. Deve ser porque estou muito bem agora. Tem tanta coisa bacana acontecendo... Fico muito feliz!
E uma delas é que o Mundo Cult entrou no ar e pela primeira vez eu tenho uma coluna num site. Eu já tinha sido convidada pra escrever em outros sites, mas o povo me trazia até pauta. Pauta?! Ninguém merece! Se eu quisesse escrever por pauta, seria jornalista!
Tudo bem, eu sou jornalista. Mas eu não atuo como tal e sei que aqui dentro de mim tem uma escritora - aguardem, qualquer hora sai um livro da minha cachola. -. Além disso meu negócio é marketing. Ler, escrever e fazer marketing. Nada de pautas, por favor.
Então minha amiga Love me convidou pra ter uma coluna livre no site dela e eu adorei! Como é livre, não sei bem sobre o que eu vou escrever, mas obviamente é sobre minha vida aqui. Devo falar um pouco de coisas que podem ser feitas, exploradas, devo falar do povo, da comida, da música, das artes; não estou bem certa.
E essa falta de certeza está refletida também no nome da coluna, a qual eu carinhosamente chamei de Lunfardo. Lunfardo é a gíria daqui e, assim como na terra brasilis, pra tudo quanto há aqui existe uma gíria. No Brasil é "pirata", aqui é "trucho"; aí é "cara", aqui é "pana"; aí é "animadinha", aqui é "choncha". E claro, choripan é chori assim como você é ocê ou cê. Enfim... gírias, encurtamentos, substituições existem em toda língua, no espanhol não ia faltar. E na minha coluna não poderia faltar - aqueles que me conhecem sabem bem e pra eterna tristeza do meu pai.
E assim como a gíria está em toda parte, quero escrever no Lunfardo um pouco de tudo, do que é belo, do que é lúdico, do que é doido, do que é normal. Um pouco de tudo que vejo e sinto.
A parte da minha coluna, na qual estou babando como se ela fosse meu sobrinho L., o site tá bacana demais! Além de lindo - feito com muito carinho e capricho -, o conteúdo tá muito legal e diversificado, tem bastante informação e já começa a tomar corpo. Tem tanto assunto a ser explorado nesse mundo (e sei que as meninas, Love e F. vão explorar de montão), que eu não tenho outra expectativa em relação ao Mundo Cult senão a melhor.
Então é isso. Adorei, fiquei apaixonada com minha primeira
baby-coluna e sei que o carinho por ela vai serguir sendo descomunal. Afinal a primeira coluna a gente nunca esquece. É assim como o primeiro blog, e a minha paixão continua sendo o rebus sic stantibus.
Anyway, boa demais essa nova experiência.
E como canta meu amigo C. em seu CD que tá lançando agora - essa novidade também merece um post especial -, "Sol a sol. Nova estrada, novo amor...". Pra mim, pelo menos.
Espero não decepcionar os leitores e nem as editoras.

30.8.09

re-bueno

Minha vida essa semana acompanhou o clima argentino: uma lou-cu-ra! Tanta coisa aconteceu - e somente coisas boas.
Fazendo um retrocesso, a primeira coisa espetacular que rolou é que a temperatura subiu e tivemos dias e noites de 18 a 28 graus. Dias lindos (o que não é novidade por aqui), re-buenos. Então deu pra caminhar muito, sair por aí, curtir um pouco a cidade.
Segunda-feira fomos pra casa do L. terminar um trabalho pesadíssimo de estatística. Conseguimos desenvolver tudo e entregar a tempo. Mas claro que o mais legal não é o trabalho, e sim a charla, nossas conversas e risos - principalmente às custas do nosso querido amigo A., que é um personagem! Terça-feira dei aula de português, malhei, fiz um montão de coisas e à noite recebi um colega colombiano - meio chatinho, cheio de confiança - pra ensinar o cara a fazer uma lasagna. Afff! Não aguento mais ensinar o povo a fazer lasagna, mas ok, vamos que vamos. Quarta-feira mais uma batelada de coisas e à noite jantei um G. e F. umas tiras de asado com morcilla basca, como sempre espetacular! Ah, e muito importante: santa M. de Poa me mandou, direto de Tucumán, meus remédios para ansiedade. Que sossego, graças a Deus! Quinta, minha segunda classe de pintura, todo um dia maravilhoso! Sexta saí com G. por calle 12, comprei meu colchão, tomamos sorvete, conversamos bastante. À noite jantamos no Club Ewerton, eu, ela, F. e L., que está vivo.
Ah, um aparte sobre L.: ele capotou o carro há algumas semanas quando voltava de Bons Ares. Graças a Deus não teve nada, nem ele, nem o carona. Tadinho, levou um susto e nós também nos assustamos; o que me fez levantar a bandeira branca e não brigar tanto com ele. Enfim...
Depois do Ewerton, L. e eu ainda fomos pra um bar meio tosco na calle 54, mas papeamos muito e foi bom. Eu realmente não vejo mais L. como meu rolo, ficante, namorado, sei lá, mas tenho um carinho especial por ele e acredito, sinceramente, que agora vamos conseguir desenvolver bem nossa amizade.
Sábado: cancha do Estudiantes. Foi LINDO!! Como sempre. Era o primeiro jogo depois da Libertadores da América e a equipe deu uma volta olímpica mostrando a taça. Isso depois de meter 3x0 no Gymnásia - um jogo quase como Galo x Cruzeiro na aldeia iluminada. E o mais bacana que tudo foi Verón dando um torra na torcida que jogava garrafas de água nos jogadores do time adversário: ele parou o jogo, foi na pontinha do gramado, bem perto da gente, pegou uma garrafa que tava no chão, fez sinal de "não" para galera e dizia: "calma, respeto". O cara é dez! Só isso que eu digo.
À noite fechou com G., F. e G. que vieram aqui em casa comer uma lasagna de frango. G. trouxe uma sobremesa que tava ótima e claro que passamos divinamente bem. O Mundo Cult entrou no ar - o que merece outro post, já que aí estreei, com muito orgulho, minha coluna LUNFARDO - e pra fechar, ganhei uma máquina de lavar roupa do meu amigo de mestrado, A.
Então eu pergunto: dá pra não dormir tranquila depois de uma semana como essa? Ou dá pra escrever um post como esse sem estar sorrindo?
Sinceramente?! Eu acho que não.

24.8.09

nada fastidioso


"I never dreamt that I would get to be
The creature that I always meant to be
But I thought in spite of dreams
You'd be sitting somewhere here with me
'Cause we were never being boring"

21.8.09

taller

É engraçado que uma das palavras mais difíceis que encontrei por aqui pra decifrar foi taller. Eu sabia que não era talher; imaginava algumas coisas, deduzia outras, até que descobri que taller é oficina. Pode ser taller mecanico, taller de danza, ou taller de política pró peronismo (aff!). Argentinos falam "tajer" e outros hispanoparlantes, como eu, pronunciam "taier".
Enfim, agora eu faço taller também: taller de dibujo y pintura. Comecei essa semana com uma artista local que se chama Kitty de Bártolo. A escola fica fora do casco da cidade de La Plata e é linda! Uma casinha pequena, toda colorida e se chama Espacio de Arte Gonnet.
Cheguei na aula toda equipada: tela, pincéis, tinta, avental. Quem me via poderia dizer que eu já era uma artista, só pelo porte e pela quantidade de aparatos que carregava. Mas o fato é que cheguei na oficina morrendo de medo, porque não tenho noção de espaço, perspectiva, traço, nada! Tenho a manha e gosto de colorir, mas fora isso... nada! Então eu tinha certeza de que para mesclar as cores não teria problema, mas o resto...
Cheguei lá, expliquei pra Kitty porque eu queria ingressar num taller desses, quais meus objetivos, todo aquele blá, blá, blá típico pré de qualquer classe - e que de fato até ajuda -, olhei um montão de livros e revistas escolhendo o que mais me atrai em termos de cores, formas, linhas. Pensei que ela fosse me dar uma aula de sei lá o que, noções básicas de como desenhar e pintar, e toda uma aula introdutória. Mas eis que Kitty me colocou de cara pra pintar um pedaço de um quadro que escolhi e que gosto tanto - As Virgens, de Gustav Klimt (até tenho o quadro no meu quarto).
Claro que eu nem sabia por onde começar. Então ela me ajudou a escolher os pincéis; me orientou na elaboração do quadro e pôs força pra eu relaxar criando um fundo azul não tão azul ortodoxo - ou seja, me deixou e praticamente me ordenou para que eu usasse outras cores, criando um azul mais violáceo, mas heterogêneo. Foi aí que eu vi o quanto sou cartesiana, preto no branco, muito limitada pra criar e pra extrapolar os limites. Porque no meu conceito de fundo azul, azul é azul e ponto, sabe?!
Eu não era assim, tenho certeza, até porque fiz teatro durante muitos anos e sempre curti artes. De fato eu sou cega das mãos, mas curto artes. E por incrível que pareça, foi um custo me soltar e não fazer as ondas - a "janela", ou seja, o pedaço do quadro que escolhi tinha uma ondas, uns rolos, não sei definir bem - tão exatas como não deveriam ser (aposto que Klimt as pintou displicentemente, sem um traço forte e certeiro como o meu). Só no final eu estava fazendo tudo mais light, sem a mão pesada e deixando a criatividade fluir.
Não sei bem em que ponto da minha existência minha criatividade pra determinadas coisas bloqueou. Eu tenho uma leve desconfiança de que foi durante o terceiro científico, na ralação pro vestibular. E pra ser sincera, ela não bloqueou. Ela desapareceu. E desde então eu faço marketing, marketing, marketing, que é o que sei fazer, faço bem, mas nem sei bem se gosto tanto como antigamente. Por isso também quis colocar a mão na massa, ou melhor, nas tintas: pra descobrir um pouco mais meu caminho ou para, pelo menos, reencontrar o gosto pelo que faço.
Enfim, no fim do dia, voltei pra casa congelada, cansada e satisfeita. Não vi o tempo passar e já começo amanhã a pintar outra tela - vai ficar uma em casa e outra na escola.
Foi uma semana jóia: segunda conheci uma brazuca fofa, de Fortaleza, que mora aqui com o namorado. J. tem 25 anos, tá trabalhando e deve voltar pro Brasil ano que vem. Fabrício, meu tano (eu sei, eu sei que não escrevo nomes, mas Fabrício é um nome tão lindo e esse é meu segundo Fabrício - o primeiro é advogado em Mantena -, que não resisti), veio aqui na terça; na quarta jantei com meus amigos, quinta tive minha estreia na pintura, e hoje aula com o Phillip Kotler argentino. Amanhã tem boliche com a outra G. e o finde promete.
A vida é mesmo engraçada: quando a gente mais pensa que tá quase afim de ir embora, coisas maravilhosas começam a acontecer no caminho. E essas coisas, por mais simples que sejam, são aquelas que simplesmente te fazem querer ficar.

14.8.09

tano

Eu acho que já escrevi aqui que tano ou tana são os descendentes de italianos que vivem por aqui. Meu amigo T. me explicou isso quando disse que a mulher mais linda que ele conheceu era uma tana.
Bom, eu também conheci um tano. E definitivamente é o mais lindo de todos que conheci até agora, com exceção do meu argentino da calle 60 que não só não conheci, como nunca mais voltei a ver. E F. não é somente o mais bonito, mas seguramente foi quem mais me deixou à vontade. Talvez porque todo mundo que escuta meu sotaque brasileiro já chega com um papo furado de que brasileira é sinônimo de diversão, ou de mulher gostosa, ou caliente, temas que sinceramente me deixam muito desconfortável quando abordados, quase nunca estou tão relaxada. E com F. foi diferente.
Seguindo o prognóstico, obviamente ele é mais jovem que eu. Diadorim sempre se dá melhor com os rapazes mais moços. F. tem 25 anos, está no último ano de medicina e mora na mesma rua que eu, há umas 5 quadras de distância. E nos conhecemos por um, entre tantos, ponto em comum. Estávamos sentados numa disco, um ao lado do outro, porque nenhum dos dois gosta de música tipo rumba, salsa, sei lá como chama - só sei que era uma dessas músicas latinas pra dançar de casal.
E foi assim que iniciamos uma "charla" sobre The Clash, Sex Pistols, U2, The Cure... um monte de banda que a gente curte. E falamos depois de viagens, de lugares, de planos pro futuro, de relações. Às vezes é impressionante como os caras de 25 anos são mais maduros do que estão de 30 a 45 - especialmente os de 40.
Sei que entrei no "boliche" mais ou menos 5h40 da manhã - sim, esse é o horário bom de ENTRAR na balada por aqui! -, conheci F. cerca de 6h30 e ficamos no conversando no Pamplona até não sei que hora. Voltamos caminhando com o sol já alto e cheguei em casa mais ou menos 11h24. Coisa de louco.
Eu não peguei o contato de F. e nem ele o meu. Considerando que somos vizinhos, pode ser fácil a gente encontrar. Considerando horários diferentes, rotinas distintas e uma pitada de azar, pode ser que a gente nunca se encontre. E se a gente não se encontrar, não importa. F. foi meu "one night stand" que serviu pra me animar e pensar que é possível encontrar alguém bacana.
Ao me despedir de F. na porta da minha casa - aquele homem grande de 1,90 que dá abraço de urso na gente (abraço de urso que eu adoro!) -, com uma barba rala que é um char-me e olhos doces -, não pude deixar de me lembrar daquele filme, Antes do Amanhecer, com Julie Delpy e Ethan Hawke. F. provavelmente será meu Jesse argentino, aquele que eu nunca mais verei.
Y no olvidaré, todavia...

9.8.09

angeles

Hoje é aniversário do meu papi. E também dia dos pais na terra brasilis - aqui hoje é dia das crianças e eu ganhei um montão de bala comestível na rua... adoro!! -. Queria muito estar por aí pra poder dar um grande beijo e um abraço e urso nele, mas já que não posso, estou na terra do céu celeste agradecendo a Deus não somente por ter meu dad vivo, saudável e presente, mas por ter toda a minha estrutura logística, sem a qual eu não sobreviveria aqui. Es decir, meu pai, minha mãe, meus irmãos e um punhado de familiares e amigos que me ajudam e torcem por mim à distância - essa é minha estrutura logística de apoio, já que a estrutura logística que serve de suporte aqui, definitivamente consiste em meus pais.
E pensei muito nisso hoje, não somente porque domingão é dia duplo pro meu pai, mas também porque G., uma equatoriana, chegou pra fazer o mestrado com a gente. Olhei para ela e lembrei das minhas primeiras semanas (e últimas, quando bateu a saudade e a solidão) aqui. Se eu não tivesse tido G., F., meu "padriño, carnicero y director"*, e F., estaria perdida, sozinha, sem saber em que rua entrar. Ou seja, minha estrutura logística e de apoio local foi e é tão importante pra mim, quanto minha estrutura no Brasil.
Então hoje, ou melhor, ontem - sabadão - eu saí da aula com ela e fui caminhar pela calle 12; compramos seu celular, olhamos uns casacos, botas e tals. Hoje pode ser que a gente vá na feira da Ciudad Vieja e depois de amanhã vou levá-la comigo pra Buenos Aires.
O fato é que eu não conheço a G.. E nem sei como é sua vida, como são seus recursos, se ela tem ou não apoio logístico como eu tenho. Mas assim como precisei da G., do F. e do F. nos meus primeiros dias aqui (e ainda preciso), nada mais justo que ser o anjo da guarda de alguém, quando Deus foi tão generoso comigo e me mandou logo três de uma vez.
Além de olhar coisas de uso pessoal, apresentei G. para Diego, o cara que me vendeu meu futton - que vem aqui na terça-feira trocar um pé da minha mesa e almoçar comida brasileira com 2 companheiros seus que fazem a entrega dos móveis (eu e minhas promessas, aff!) -, mostrei a ela onde fica a loja de lâmpadas japonesas que são lindas e baratas, sinalizei algumas ruas, enfim... Dever de casa completo!
Assim que cheguei em casa morta, a ponto de não conseguir sair pra balada com L.. Tomei um banho, baixei umas séries e ya esta!: pego meu Catena-Zapata, deito confortavelmente no meu futton, fecho os olhos e agradeço mil vezes a Deus, de verdade e sinceramente, por minha vida ser tão boa, por eu ser (quase) perfeita; inteligente, saudável, bonita, agradável (sem modéstia; a ponto de o açougueiro, o verdureiro, o quiosqueiro sentirem saudade de mim), e por ter tantas oportunidades.
Se eu não puder transmitir para os outros um pouco de tudo que bom que recebo, sinceramente não sei porque estou aqui, desconheço meu papel. É bom receber o bem. E doar o bem também. Isso faz meu dia mais feliz e me faz sentir... mais alguém.

* o marido de minha amiga G. estuda cinema, por isso é "director". Seguramente será meu padrinho de casamento, por isso é meu "padriño". E F. faz a melhor carne que comi aqui até hoje - apesar de ser venezuelano. Nada mais justo que chamá-lo de "carnicero" ou açougueiro em português.

8.8.09

invitación

Como diz meu amigo C., sou a moça das letrinhas. Mas com esse convite que outro C. escreveu no facebook não tem como fugir dos nomes por extenso. E muito menos dá pra fugir do compromisso:

Próximo Sábado - Asado INTERNACIONAL
Lugar: LC House

Menu Anti Stress:
Entrada: Copetines a la Brasileña y Gaipirinha* - Responsable Rebecca
Plato Principal: Parrillada completa - Asador Leandro / Cesar
Postre: Ron Venezolano
Acompaña: Bodegas Zapata (Vino)

Shows: Samba**, Salsa
Competências: Mejor Gaipirinha, Cantobar (un tema por país), Quien queda de pie!

Adorei!
Ah, e os comentários:
* de onde C. tirou "gaipirinha" eu não sei. Até porque ele morou na terra brasilis por dois anos e tomou muita caipirinha!
** Samba?! Eu??

7.8.09

bonaerense

Hace mucho que quiero escribir este post. De verdad, ya se pasaran más de 3 meses desde que empecé a vivir acá, así que ya hablo la lengua, ya escribo, he leído un montón de textos en español y conozco un poco de los costumbres y de lo funcionamiento (y de la falta de funcionamiento) de mucha cosa por acá. Y claro, no solamente digo de lo que está relacionado con los argentinos, pero también de los hispanoparlantes que viven por estas zonas platenses.
Mi percepción cerca de variados escenarios ha mudado mientras pasan los días, los meses; mientras yo conozco otras personas y sus formas de vida, sus trabajos, hábitos. Y mientras aumenta mi exploración en términos de lugares y sus características también.
Y una de las cosas que observé desde que comencé a descubrir más de ese universo argentino es que, primeramente, ese blog debería llamarse Palabras Platenses. O bonaerenses. Porque porteño es aquel que vive en Buenos Aires, capital federal. Y yo vivo en La Plata, capital de la provincia de Buenos Aires, así que estoy metida en medio de los costumbres platenses o quizás, en general, en los costumbres bonaerenses. Pero el nombre ya estaba elegido antes que yo supiera de todas esas distinciones, así que ahora va seguir como palabras portenhas, sea lo que sea.
Otra percepción que tuve – aunque eso haga un quilombo en mi cabeza – es que lo español de acá es distinto del castellano. Como convivo con hispanoparlantes de varios lugares como Venezuela, Colombia y otros que tal, sigo hablando un español de latinoamericanos. Sin embargo, convivo también con argentinos, sus lunfardos (gírias), asisto tele, escucho sus músicas, me reyo de sus bromas o boludeces, y más que nunca mi español está lleno de los “vos” usados por los hermanos; todo eso mezclado con los “tus” de otros países, incluso el “tu” la propia lengua portuguesa.
Pero así son las cosas que pasan, las cosas que uno descubre y todo que es novedad acaba haciendo parte de su cotidiano. Hoy día, por ejemplo, tomo más té y mate que café. Como más carne que pollo. Escucho Soda Estereo más que Ira, he leído La Nación online más do que he leído de la Folha de São Paulo o Estado de Minas y asisto Valientes en El Trece. Mi entrenamiento es en un gimnasio con un personal llamado Gastón, mi equipo es el Estudiantes de La Plata (sin olvidarme del Galo, por supuesto) y la celebridad que vive más cerca de mi, por lo que yo sepa, coincidentemente es Verón. Mis compañeros ya vienen a mi casa para estudiar (cuando no estamos en la de G.) y en nuestros encuentros siempre tenemos facturas o medialunas exquisitas que F. o L. compran en la Confitería La Rosa.
Entonces, bien… Después de los días de incertidumbre, soledad y extrañeza de mi casa, mi familia, mis amigos, de la comida y otros pormenores de la aldea iluminada, todo se normalizó. Mis vacaciones terminaran y volvimos a el postgrado. De pronto comencé en mi clases de dibujo y pintura con una artista plástica llamada Kitty di Bártolo, en un taller ubicado fuera del casco de la ciudad y en la otra semana empiezo mis clases de español y alemán – sin dejar de mencionar las clases donde yo voy a enseñar el portugués). Mi curriculum ya está circulando en Internet, obviamente en los sitios de empleos argentinos y así seguimos. Todo normal, tranquilo, hermoso. Todo buenazo!
Y en serio, ahora que lo terminé de escribir, llego a creer que este post no debería llamarse bonaerense, sino vida bonaerense. Quise yo...